Do caos aos céus – Ressignificação de vida : Luciana Lage Alcoolismo / Depoimentos / Feature / Jovens

Uma cervejinha um dia, um pileque de vodka num final de semana, uma garrafa de champanhe no reveillon. Grande parte da população lida bem com o uso esporádico do álcool e passa por toda a vida sem sofrer problemas maiores que uma ressaca no dia seguinte. Não é o caso, porém, de Luciana Lage, 30 anos, alcoólica em recuperação. Dentre as áreas de sua vida que foram afetadas direta ou indiretamente pelo uso e abuso de álcool, tarefas laborativas foram negligenciadas. A graduação em jornalismo foi uma delas. No entanto, a inquietude e facilidade de comunicar-se, característica notável ao primeiro contato, fez com que a niteroiense optasse por divulgar o problema e tentar ajudar mais do que a si mesma. Há mais de 2 anos e 4 meses sem beber, após quase morrer num acidente e destroçar-se emocionalmente, está engajada na prevenção às consequências negativas do uso e abuso de álcool, uma droga subestimada e socialmente aceita, alimenta a fanpage “Vítimas da Desinformação” e vem tornando-se porta voz sobre alcoolismo entre os jovens e ganhou visibilidade após sua entrevista ao programa Altas Horas da Rede Globo (https://globoplay.globo.com/v/5281698/). É reconhecida e respeitada por diversos especialistas e entusiastas da área de Dependência Química.

Fruto da aparição nacional, foi convidada a palestrar na Wilson Sons (uma das maiores operadoras de serviços portuários, marítimos e logísticos do Brasil) e no Colégio Universitário Geraldo Reis – COLUNI/UFF (unidade acadêmica que pertence à Rede Federal de Ensino). A partir daí, desenvolveu o trabalho voluntário “prevenção por experiência” em que divulga sua vivência pessoal (www.youtube.com/watch?v=uHGup5qV5Mw) e motivou-se ainda mais a fazer cursos e preparar-se para assumir de vez o compromisso de ajudar o próximo. Teve uma rápida passagem pela política, tendo sido assistente na Coordenadoria de Políticas Públicas sobre Drogas de Niterói por quatro meses, mas ao lamentar-se com a repentina exoneração escutou de um psicólogo com quem fez amizade: “Cargos públicos são bons, mas tendem a prender teus talentos. O mundo precisa destes talentos livres.” E é assim que pode ser enxergada: livre como uma ave e renascida das próprias cinzas, assim como a Fênix. Porque a questão não são as experiências de vida pelas quais passamos; o que faz a diferença é o modo como nos apropriamos delas, o significado que elas terão em nossa biografia.

 

Atualmente Luciana está em andamento no curso de Aconselhamento em Dependência Química da Universidade Federal de São Paulo, sob coordenação geral de um dos médicos mais renomados do Brasil e do mundo no estudo e tratamento da dependência química: o Dr. Ronaldo Laranjeira. Em Niterói, participa de capacitação em atendimento ao dependente químico e é aluna de dois dos mais antigos conselheiros em dependência química da cidade: Marcello Condeixa e João Luiz Vieira.

 

Reencontre-se. Reequilibre-se. Reconstrua-se.

MÍDIA

 

 


Comecei a ingerir bebidas alcoólicas aos 14 anos de idade, me tornei alcoólatra e hoje estou em recuperação.