Alcoolismo no Futebol

Para retomar a carreira profissional na dose certa, sem o álcool e seus derivados – noitadas, mulheres, queda no rendimento, riscos à saúde -, é preciso levar na ponta da faca o lema do Alcoólicos Anônimos: “Evite o primeiro gole”.

A recuperação requer derrotar a abstinência – tremedeira comum nos alcoólatras -, driblar os falsos amigos e trocar os bares por programas que, do início ao fim, não o levem ao drinque.

– Todo dia é uma partida, uma vitória. Não é preciso deixar as amizades, mas mudar a vida – afirma Dil Silva, membro dos Alcoólicos Anônimos, em abstinência de 36 anos.

Um exemplo de recuperação no futebol atual é o zagueiro Renato Silva, do Botafogo. Nascido em Colina, Tocantins, sentiu na pele os efeitos do vício. Contraiu Hepatite C. Vitória do álcool nas primeiras batalhas. Quando jogador do Flamengo, em 2005, colecionou atrasos e até dormiu na maca de massagem no vestiário, sendo até multado.

– Eram muitas noitadas. O vício está superado. Foi difícil. Tive problemas até mesmo da saúde. Quando a ficha caiu, estava ainda no Flamengo. De lá para cá, nunca mais bebi. Sou uma pessoa completamente do bem – afirma

No período de abstinência, Renato Silva lembra ter cometido o erro de trocar a bebida alcoólica pela maconha. Até que, em 2007, com a camisa do Fluminense, foi flagrado em exame antidoping, o que lhe rendeu mais problemas.

– Sofri, no começo foi difícil. Mas quando parava para pensar, quando dava vontade, lembrava da família, das pessoas que ficariam tristes. O negócio do doping foi a troca do vício.

Uma segunda família, como mesmo denomina, é fundamental para a recuperação. A família “Srour” – José Carlos, Rodrigo, Solange e Vanessa – faz a vigilância, dá todo o aparato para que Renato Silva negue os convites para nova expedição noturna.

Ele passa, assim, a mudar os hábitos. Vai a shows, com hora marcada para chegar e ir embora. Nos restaurantes, almoço e jantar, nada de “desce uma ou traz a saideira”.

– Hoje, vou ao teatro. Restaurante é para sentar, almoçar, jantar. Vou ao show de duas horas. Chego às 21h, saio às 23h. Antes, saía às 9h e chegava às 5h e o treino era ruim. Tenho amigos e amigos de farra. Isso sempre vai ter. Esses não dá para contar nos momentos difíceis – diz.

Atualmente, Renato Silva faz visitas ao Narcóticos Anônimos (NA) e à psicóloga da Clínica Jorge Jaber. Celebra o reencontro com o profissionalismo, que lhe rende a camisa 3 do Botafogo e a confiança dos companheiros. Feliz, nem conta mais os dias sem beber, investe o dinheiro para o bem próprio e deixa o conselho aos jovens:

– É uma bola de neve. Vem primeira saída, a primeira garota. Ela gosta de um negócio, você entra na onda e quando vê está numa vida que não é a sua. Você gasta muito dinheiro. Hoje, tenho bens, ajudo a família. É preciso ser atento – aconselha.

Está provado, futebol e bebida não combinam.

Fonte: Extra