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Álcool e Trânsito

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O artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro determina que é pena gravíssima dirigir sob a influência de álcool em nível superior a seis decigramas por litro de sangue. A pena para esta infração compreende multa, retenção do veículo e suspensão do direito de dirigir.

 

O uso de álcool é responsável por graves acidentes de trânsito, envolvendo muitas vezes a morte da pessoa embriagada e a morte de terceiros. De acordo com dados epidemiológicos dos Estados Unidos relacionados às conseqüências do consumo de álcool no trânsito2, verifica-se que:

 

1. De todos os acidentes de carro nos Estados Unidos em 2002 envolvendo uso de álcool, 4% resultaram em morte e 42% em ferimentos graves. Dos acidentes de carro não envolvendo o uso de álcool, 0,6% resultaram em morte e 31% em ferimentos graves.

Farol

2. Indivíduos do sexo masculino tem uma chance maior de se envolver em acidentes fatais. Em 2002, 78% dos indivíduos que morreram em acidentes de carro eram homens, sendo que 46% das mortes estavam relacionadas com o consumo de álcool.

3. A maioria das fatalidades relacionadas ao consumo de álcool ocorre entre 21 e 45 anos.  O uso de álcool está relacionado com 23% das fatalidades com menores de 16 anos, 37% das fatalidades com indivíduos entre 16 e 20 anos, 57% das fatalidades com indivíduos entre 21 e 29 anos, 53% das fatalidades com indivíduos entre 30 e 45 anos e 38% das fatalidades com indivíduos entre 46 e 64 anos.

4. Acidentes de trânsito que resultam em morte ocorrem com maior freqüência a noite ou nos finais de semana. 77% dos acidentes fatais ocorreram entre as 18hs e 6hs.

 

Embora não haja estatísticas nacionais, no Brasil, estudos pontuais e regionais apontam a ingestão de bebidas alcoólicas como uma das principais causas de mortes por causas externas.

 

Estudo retrospectivo de todas autópsias realizadas no ano de 1999 (janeiro-dezembro) nos casos de morte por acidentes de trânsito, no Instituto Médico Legal de São Paulo, mostra que aproximadamente 50% destes óbitos tiveram relação com o uso de álcool.  Como nos dados americanos, este tipo de ocorrência predomina nos homens.

 

:: Vítimas de morte por causas externas do ano de 1999,  autopsiadas no IML-SP

 

Tipo de morte

n.º de casos

%

Homicídios

5 284

49,16

Acidentes Trânsito

2 360

21,96

Morte Suspeita

1 232

11,46

Outros

1 045

09,72

Sem história

420

03,91

Suicídios

408

03,80

Total

10 749

100,00

Fonte IML - Sede- São Paulo (1999)

 

:: Distribuição das mortes por acidentes de trânsito em relação à presença de alcoolemia positiva e ao sexo da vítima.

 

Alcoolemia

Grupo geral

Homens

Mulheres*

Negativos

1 251  (53%)

1058  (50,1%)

193 (77,2%) 

Positivo

1 109  (47%)

1052  (49,9%)

57 (22,8%)  

Total

2 360

    2110 

    250

Fonte IML - Sede- São Paulo

 

Observação: 2110 casos de homens = 89, 41% de todos acidentes, 250 casos de mulheres = 10,59% de todos acidentes.

 

:: Análise estatística da idade (anos) das vítimas fatais no ano de 1999 do Instituto Médico Legal de São Paulo  (IML-SP) distribuídas pelo sexo e alcoolemia

 

Idade

Homens

Mulheres

 

grupo geral
n= 2110

Negativo
n= 1058

Positivo
n= 1052

grupo geral
n= 250

Negativo *
n= 193

Positivo *
N= 57

Média

36,2

36,5

35,9

41,3

43,2

27,5

Desvio-padrão

15,3

17,5

12,7

19,2

19,9

11,5

Mediana

34

32

34

39

42,5

34

(* p<0,05 = idade  das vítimas do sexo feminino com alcoolemia positiva é diferente da idade das vítimas com alcoolemia negativa)

 

Referências: 1. Código de Trânsito Brasileiro. (http://www.senado.gov.br/web/codigos/trânsito/httoc.htm) 2. Hingson, R.,  Winter, M. (2003). Epidemiology and Consequences of Drinking and Driving. National Institute of Alcohol Abuse and Alcoholism. (http://www.niaaa.nih.gov/publications/arh27-1/63-78.htm)

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