Consumo de álcool aumenta durante isolamento social

Vendas em Minas Gerais cresceram até 38%. OPAS tenta mapear o consumo na América Latina e Caribe

Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese), divulgados durante audiência pública da Comissão de Prevenção e Combate ao Uso de Crack e Outras Drogas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), mostram que a venda de bebidas alcoólicas subiu no período de isolamento social. Segundo a pasta, o crescimento foi de 38% nas distribuidoras, 27% nas lojas de conveniência e 26% nos serviços de entrega em domicílio.

Para traçar estratégias visando frear o consumo, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) realiza pesquisa online e anônima sobre o uso de álcool durante o período de isolamento social. Podem participar maiores de 18 anos, que residam em algum país da América Latina e do Caribe. O questionário deve ser respondido até 30 de junho. O estudo está sendo desenvolvido depois da Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestar preocupação com o aumento do uso de álcool e lançar material informativo sobre o tema. De acordo com a psiquiatra e professora do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, Tatiana Mourão, a quarenta pode estimular o consumo de bebidas.

A comercialização de bebidas alcoólicas por aplicativos pode facilitar o acesso de crianças e adolescentes a esse tipo de produto, segundo avaliação da professora Tatiana. O álcool é uma droga lícita, que tem regulamentados os processos de produção, compra e consumo. A professora Tatiana explica porque as pessoas recorrem à bebida durante o isolamento.

O uso abusivo do álcool é diferente do alcoolismo. O primeiro se refere à ingestão de quatro ou mais doses entre as mulheres ou cinco ou mais doses entre os homens, em uma mesma ocasião, nos últimos 30 dias, segundo o Ministério da Saúde. Já o alcoolismo é uma doença, caracterizada pela dependência química de bebidas alcoólicas, que inclui a vontade incontrolável de beber, perda do controle e até dependência física. A professora Tatiana destaca se existe uma dose segura de álcool.

De acordo com a OMS, o uso nocivo do álcool é responsável por 3 milhões de mortes no mundo. Algumas pessoas são mais suscetíveis ao desenvolvimento do alcoolismo: genética, condições psicológicas, ambiente e cultura são fatores que podem favorecer a doença. A professora chama atenção para o momento atual, que pode ser um gatilho para quem já tem predisposição à dependência.

O tratamento do alcoolismo envolve a desintoxicação, geralmente realizada sob supervisão médica, e a reabilitação. Os Alcoólicos Anônimos têm realizado, diariamente reuniões à distância. Clique aqui e acesse mais informações sobre os encontros.

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