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O alcoolismo, uma das maiores preocupações da saúde pública no Brasil, atinge cerca de 11% da população dos grandes centros nacionais e não tem cura. Estudos apontam a predisposição genética e a personalidade impulsiva e imatura como fatores desencadeantes. O melhor tratamento continuam sendo os grupos de apoio. O mais conhecido deles, Alcoólicos Anônimos (AA), está completando 59 anos de atuação no Brasil. Atualmente, o AA atende cerca de 300 pessoas em Bauru, além de seus familiares.
 
De acordo com a psiquiatra e psicoterapeuta Elaine Lúcia Dias de Oliveira, existem fortes evidências que comprovam o componente genético em casos de alcoolismo. “O que não sabemos ainda é qual o gene que está envolvido com essa história. Não se identificou o gene responsável pelo alcoolismo. Mas ele existe, pelas fortes evidências constatadas em estudos feitos com filhos de acoolistas e crianças adotadas”, observa a especialista.
 
Uma das hipóteses da causa do alcoolismo relacionada ao fator genético é a presença ou não de determinadas enzimas no organismo. “Uma das hipóteses é que essas enzimas façam com que a pessoa seja mais resistente ou não ao efeito do álcool. Se ela é mais tolerante, é mais difícil desenvolver uma dependência”, observa Oliveira. De acordo com a psiquiatra, quando o gene for identificado, novas formas de tratamento podem surgir. “Por exemplo, um tratamento preventivo de orientação genética. E também existe a possibilidade de se fazer uma vacina. Quem sabe?”, aponta.
 
Mas a psiquiatra ressalta que todo fator genético precisa de um fator ambiental para se expressar. “A pessoa pode ter o fator genético, mas ele pode ou não ser desencadeado. E por outro lado, uma pessoa pode não ter nenhuma história de alcoolismo na família e ser um alcoolista”, avalia. Nesses casos, o determinante é a personalidade.
 
:: Predisposição
 
Existe um traço de personalidade que predispõe à dependência, seja ela química, de álcool ou outras substâncias. “E o que dificulta muito o tratamento é essa base de personalidade. São pessoas mais compulsivas, imaturas, imediatistas e impulsivas que fazem uma avaliação crítica insuficiente. Partem do desejo à ação, sem fazer a ponderação”, observa Oliveira
 
A psiquiatra explica que todo o dependente químico apresenta imaturidade e impulso. “São pessoas que desenvolvem muito precariamente um raciocínio reflexivo. Elas têm uma intolerância muito grande ao desconforto e às frustrações. Então, buscam o caminho mais fácil, que é se embebedar. Você pode até não ter o componente genético manifesto, se você tiver uma personalidade que facilite”, explica.
 
:: Dependência
 
Para o Alcoólicos Anônimos (AA), o alcoolismo é uma doença progressiva e incurável. O tratamento é a abstinência. A psiquiatra Elaine Lúcia Dias de Oliveira concorda. “Não existe o beber moderado para o alcoolista. Ele não se controla”, afirma. Os medicamentos ajudam na abstinência, mas para ela, apenas os remédios não são suficientes.
“A pessoa precisa de algum tipo de ajuda. E observamos que os grupos de apoio, como o Alcoólicos Anônimos, ainda são os que melhor funcionam para esse tipo de problema”, pondera.
 
Carlos (nome fictício) chegou ao AA em setembro de 1982, com 30 anos e bebendo compulsivamente desde os 22. “Tinha uma grande tolerância ao álcool e uma predisposição. Estava perdendo tudo. O orgulho me fazia dizer que podia parar sozinho.” Na primeira reunião no AA, ele encontrou esperança. “Quando você chega, vê pessoas com os mesmos problemas e seguindo em frente, você encontra exemplos a seguir”, conta.
 
Alexandre (nome fictício) chegou ao AA por conta de uma pancreatite aguda. “Todos os dias pensava em tirar a minha vida. Mas apagava antes, de tanto beber”, conta. Depois de freqüentar o grupo, voltou a ter vontade de viver. “Recuperei a minha família e tenho o propósito de continuar aqui, por gratidão.”
 
Fonte: Jornal da Cidade
 
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