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:: Número de adolescentes apreendidos com drogas saltou 101% em um ano

 

Salvador - Aumentou 101% o número de adolescentes apreendidos por envolvimento com o tráfico de drogas de 2006 para 2007 em Salvador, saltando de 62 (2006) casos para 125 (2007).

 

O número catalogado no ano passado representa, em média, 10 situações de jovens envolvidos com este crime por mês em Salvador, enquanto o número do ano anterior era de cinco jovens na mesma situação a cada 30 dias.

 

O dado é do Centro de Documentação e Estatística Policial (Cedep) e é reflexo de uma preocupação já vivida por professores e diretores das escolas de Salvador.

 

Essa inquietação também atingiu a direção da Escola Estadual Luiz Viana que recorreu a polícia e procurou os investigadores da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI).

 

No dia 22 de abril pela manhã, um aluno da escola, um menino de 17 anos, com óculos vuarnet e bermuda cargo, se apresentou na unidade. Ouvido pelo chefe do Serviço de Investigação (SI), Washington Costa, ele se defendeu das acusações de outros alunos de estar passando entorpecentes no interior da escola, localizada na Avenida Waldemar Falcão, no Candeal.

 

O depoimento que foi acompanhado pela mãe dele durou uma hora. “Não uso drogas e quase ninguém da escola usa”, repetia. As informações recebidas pelo SI são outras.

 

“Temos denúncias que indicam que esse jovem lidera um grupo que trafica drogas lá dentro. Diversas pessoas confirmam a mesma informação”, explicou Washington. O garoto que alega não ter dinheiro nem para provir-se foi visto no colégio com um batidão (espécie de corrente de prata avaliada em R$ 500 pelo o próprio menino). “É de um amigo meu”, defendeu-se.

 

Ainda segundo informações apuradas pela polícia, o grupo desse menino ainda submetia outros alunos aos seus desmandos. “Mas eles não enfrentam um outro grupo de jovens que comandaria os alunos da noite”, ressaltou o chefe do SI.

 

A diretora da instituição educacional, Valenice Maria Barreto, diz que o colégio vem adotando ações de combate ao problema das drogas nas escolas. “Estamos fazendo palestras de conscientização dos jovens com os policiais da DAI.

 

Temos uma parceria com a Universidade Estadual da Bahia (UNEB) e com a Faculdade de Medicina Federal da Bahia. O problema geral também é preocupação nossa e já percebemos avanços nos jovens com essas iniciativas”, explicou a diretora.

 

O desafio enfrentado pela direção da Escola Luiz Viana é semelhante a de outras escolas, predominantemente públicas. Preocupado com o tema, o diretor do Colégio Estadual Ruy Barbosa, Luiz Carlos Almeida, também vem implementando ações de arte-educação. “Realizamos aqui projetos de música e teatro. Nós combatemos com conscientização”, defendeu.

 

Apesar das iniciativas, a mãe de uma menina de 10 anos avisou que a situação no colégio Ruy Barbosa também merece atenção. De acordo com a mulher, há alguns meses, ela foi orientada, às pressas, a pegar sua filha na escola por que jovens armados foram vistos com drogas na porta da unidade. “A droga está em todo lugar“, lamentou a mulher, que também é mãe do menino de 17 anos da Escola Luiz Viana.

 

O diretor do Ruy Barbosa disse desconhecer a informação passada pela mãe à equipe de reportagem. “Às vezes o clima de tensão com a violência em Salvador é tamanha que as pessoas ficam criando boatos”, defendeu-se.

 

Fonte: A Tarde

 
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