Pai e filho enfrentam o alcoolismo e lançam livro sobre a doença

O alcoolismo faz parte de muitas famílias. No caso da família Leme o sofrimento era dobrado: pai e filho dependentes de álcool. Era, porque Paulo de Abreu Leme, 74, médico e Paulo Filho, 43, advogado, estão sem ingerir bebidas alcoólicas há 26 e 19 anos, respectivamente. Os dois, além de se recuperarem, acabam de lançar um livro intitulado “A doença do alcoolismo”.

O livro “A doença do Alcoolismo”, lançado ontem (18) na livraria Martins Fontes, em São Paulo, pretender colocar em pauta a questão e discutir o problema sem o obscurantismo trazido pelo preconceito. O livro mostra também que é possível se recuperar e traz exemplos para mostrar, a começar pelos autores.

O envolvimento com o álcool

O álcool entrou na vida do médico Paulo no fim da adolescência, nas festas com amigos, mas foi somente a partir dos 30 anos que se tornou dependência. As duas ou três doses de uísque por noite foram aumentando gradativamente até atingir dois litros diários. Sua esposa decidiu ir embora com os três filhos menores. Paulo Filho preferiu ficar ao lado do pai.

A bebida fez com que o médico perdesse todos os empregos e foi somente neste fase de desemprego que ele decidiu que precisava de ajuda. Com o apoio da mulher, que havia voltado apara casa, internou-se em uma clínica para desintoxicação, em 1989.

Foi lá que conheceu o grupo de Alcoólicos Anônimos (AA) e passou a participar das reuniões diariamente por 15 anos. “Passei a estudar a doença do alcoolismo, a entender a dependência e a evitar o primeiro gole”, diz Leme.
Ele recuperou os empregos e dá palestras gratuitas sobre o tema. Não teve recaídas. “Hoje eu não bebi. Amanhã não sei”, diz.

Em 1987, dois anos antes do pai iniciar a recuperação, Paulo Filho começou a ter contato com a bebida, aos 16, reforçando uma das evidência científicas sobre a influência de fatores genéticos aumentam o risco de alcoolismo e o contato com bebidas alcoólicas começam antes dos 18.

Enquanto no ensino médio ele matava aula para beber, foi na faculdade que ele sentiu-se livre para beber até cair, literalmente.
“Acordava em qualquer lugar porque bebida até desmaiar. Passava muito mal nas primeiras três ou quatro horas do dia. Não conseguia segurar uma xícara de café, tamanha a tremedeira. Logo depois voltava a beber até apagar de novo”, lembra Paulo Filho.

Na pior fase, que durou cerca de dois anos, Filho dirigiu bêbado e provocou cinco acidentes. “Não morri ou não matei por sorte”.

No final de 1996, os pais o chamaram. “Eles disseram: ‘Você é alcoólatra, está doente e tem que se tratar. Se não quiser, vá morar em outro lugar’. Desde então, passou a frequentar regularmente as reuniões do AA e parou com o álcool e as drogas.

Sócio de um grande escritório de advocacia na av. Paulista, Paulo Filho diz que a abstinência do pai foi sua principal motivação. “Tive a certeza que eu conseguiria”.

Para saber mais sobre os autores e o livro, acesse: pauloleme.com.br.

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