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O médico francês Olivier Ameisen intriga, a comunidade científica que estuda a dependência química, com seu livro “O Fim do meu vício”, no qual afirma que conseguiu se curar do alcoolismo com o uso de um medicamento, o Baclofen.

Enquanto milhares de pessoas procuram saber mais sobre o fenômeno, especialistas alertam sobre riscos sérios como a falta de comprovação científica e o perigo de tomar remédio sem prescrição.

O livro, recém chegado ao Brasil, é best seller nos Estados Unidos e na Europa e, após reportagem que foi ao ar pelo Fantástico no último domingo, também tende a ser muito vendido aqui no Brasil também. A obra conta a trajetórias do próprio autor, um médico cardiologista que testou em si próprio o medicamento durante cinco semanas, e hoje diz estar totalmente livre do álcool.

O Bacoflen é um relaxante muscular usado no tratamento de epilepsia e outras doenças. Em 2003, uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia (UCLA) já havia obtido bons resultados com o medicamento para usuários de cocaína, com o auxilio de acompanhamento psicológico. O estudo chegou à conclusão que o Baclofen pode ajudar os dependentes de cocaína inibindo a liberação do neurotransmissor dopamina no cérebro, cortando o “êxtase” causado pela substância.

“A pesquisa mostra pela primeira vez, utilizando métodos cientificamente rigorosos, que Baclofen pode ajudar as pessoas a reduzir o uso de cocaína durante o aconselhamento”, disse na época Seteven Shoptaw, o principal investigador do estudo e psicólogo clínico do Instituto de Neuropsiquiatria da UCLA.

Mas, ao contrário da experiência de Ameisen, um estudo duplo-cego recente com 80 alcoólatras na Escola de Medicina da University of North Carolina, em Chapel Hill, não encontrou nenhuma diferença no resultado entre as pessoas que tomaram baclofen e outras que receberam um placebo.

Em relação ao alcoolismo, a comunidade científica está em alerta. Em geral, há um receio muito grande de que o remédio, que tem como efeitos colaterais fadiga e dor de cabeça, seja utilizado em larga escala sem prescrição médica.

“O excesso pode provocar fraqueza, provocar cãibras, pode provocar também processos autoimunes pela ação de um agente estranho no organismo. Quer dizer, os efeitos vão depender também dessa interação com o organismo“, explicou o neurocientista e professor da UFRJ, José de Lima, ao Fantástico.

Mas o que mais incomoda médicos do mundo todo é a falta de comprovação científica para a pesquisa. Segundo o médico Olivier Ameisen, um estudo com 60 pacientes mostrou 88% de cura. Mas o estudo ainda não foi publicado, nem revisto por outros pesquisadores.

“Não acredito nisso. Primeiro, porque não há cura do alcoolismo, por se tratar de uma situação complexa, multifatorial. Não é uma doença de um ou de outro órgão, não é um fator causal só”, disse ao Fantástico o Dr. Jose de Lima.

Há cura milagrosa?

Não. De forma geral, medicamentos para tratar dependência química servem como apoio dentro de um tratamento maior, que envolve acompanhamento terapêutico.

“É preciso tomar cuidado com certas reportagens sensacionalistas, pois o alcoolismo é uma doença que não possui uma única causa. Então, um remédio pode agir no aspecto biológico, mas não no emocional, o que vai comprometer o resultado final do tratamento”, diz a psicóloga Maria Christina de Queiroz Lacerda, coordenadora terapêutica da Unidade Clínica de Tratamento (UCT) de Alcoolismo da Clínica Terapêutica Viva, em Vargem Grande Paulista.

Fonte: Assessoria de Imprensa Grupo Viva | imprensa@grupoviva.net


Comecei a ingerir bebidas alcoólicas aos 14 anos de idade, me tornei alcoólatra e hoje estou em recuperação.

  • Matt Stevenson

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    cynthia maye, nunca pensei que vivi na Terra antes do ano se esgotar. Eu
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