Cerveja e futebol: mistura explosiva movida a propaganda

Tempo de leitura: 4 minutos

Amigos, o Dr. Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, divulgou em nota um estudo muito interessante sobre o uso e abuso do álcool nos comerciais e sua relação direta com os ídolos do nosso esporte.

Atualmente, e durante toda a história, brasileiros, fanáticos por futebol, são surpreendidos por relatos de ídolos envolvidos com problemas decorrentes de consumo abusivo de álcool.

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Nesses casos, o enredo sempre se repete. Dirigentes, técnicos, colegas de profissão e imprensa lamentam o acontecido, anunciam providências e, nas entrelinhas, responsabilizam exclusivamente o jogador diretamente envolvido que, na maioria dos casos é uma vítima.

Ao invés de ser tratado corretamente como um doente, é taxado como um irresponsável que está jogando seu talento pela janela.

A verdade é que todos os envolvidos com o espetáculo do futebol têm uma parcela de responsabilidade e desfilam hipocrisia ou ingenuidade em relação ao assunto. Ou, senão, vejamos:

É coerente um técnico condenar um jogador por suas “noitadas” regadas a álcool e ao mesmo tempo aceitar ser protagonista de uma propaganda de cerveja? É sincero o sentimento de solidariedade de um colega de profissão que lamenta a condição de alcoólatra do companheiro, mas aceita relacionar sua imagem à idéia de que aqueles que consomem determinada marca de bebida alcoólica alcançam mais sucesso?

O dirigente que aceita o patrocínio da indústria de bebidas nos empreendimentos da sua entidade tem estatura moral para punir atletas que bebem? E os veículos de imprensa que financiam suas coberturas e transmissões com dinheiro da venda de cerveja, têm isenção para tratar casos desse tipo?

É preciso entender que a propaganda é o principal incentivador do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil e no mundo. Por isso em muitos países ela foi banida, com excelentes resultados para a saúde pública. E quando relacionada ao futebol e aos ídolos do esporte, esse potencial cresce exponencialmente.

Todos envolvidos nesse esforço publicitário colaboram para o alcoolismo entre os jogadores. E, se apenas concorrer para que carreiras sejam interrompidas não comove a indústria do futebol, talvez a apresentação de outras estatísticas que tenham sua colaboração a faça pensar.

– O alcoolismo causa 57 mortes por dia no Brasil.

– Entre 2000 e 2006 foram contabilizadas 92.946 mortes associadas ao consumo excessivo de álcool. Todas são consideradas como evitáveis.

– 12,3% dos brasileiros entre 12 e 65 anos são portadores de alcoolismo.

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– O álcool é responsável por 70% das mortes violentas ocorridas no Brasil.

– O álcool é responsável por 45% de todos os problemas familiares e conjugais.

– O álcool é responsável por 42% dos acidentes de trânsito.

– A cerveja representa 73% do consumo de doses acima do recomendável.

Os programas de prevenção e promoção de saúde no esporte fornecem um suporte de educação e orientação aos atletas. No entanto, não se pode garantir que jovens garotos – ou até jogadores mais experientes – não se tornem alvos vulneráveis a estas associações perigosas entre sucesso, fama e álcool.

Até porque, a face ilimitada da busca pelo prazer expõe a fragilidade emocional e, muitas vezes, coloca um ponto final no sonho da realização profissional além, claro, de produzir danos irreparáveis à saúde.

E pensar que programas psicológicos, sociais e preventivos são raros – ou inexistentes – nos grandes clubes deste país. Os dirigentes, infelizmente, ainda não contabilizaram o prejuízo que esta lacuna gera na criação e desenvolvimento de atletas saudáveis e bem adaptados socialmente.

Mais sobre a Psicologia do Esporte: acesse www.ceppe.com.br

Fonte: www.gazetaesportiva.net

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Para conhecer recursos de apoio, veja também o aplicativo Vida Sem Álcool e o Guia 34 Dicas para Parar de Beber. Esses materiais informativos não substituem orientação profissional.

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