A associação entre o consumo de álcool e depressão depende do modo como ela é avaliada?

A relação entre uso de álcool e depressão é tema de diversos estudos científicos.

A literatura aponta para uma associação positiva entre o nível de consumo de álcool e depressão, seguindo a curva em J ou de U (bebedores pesados apresentado mais sintomas de depressão que abstêmios que, por sua vez, apresentam mais sintomas que os bebedores moderados).

Entretanto, não há clareza nas pesquisas sobre essa relação e os diferentes padrões de consumo de álcool. Possivelmente esse fato ocorre devido a variedade de abordagens utilizadas na medição tanto da depressão quanto do consumo de álcool.

Para a avaliar a depressão, pesquisadores costumam usar 2 tipos distintos de escalas: o primeiro tipo avalia diagnóstico dessa doença no tempo de vida ou no último ano (ex. CIDI ou DIS); o segundo tipo mede sintomas recentes de depressão (ex. CES-D). Sendo assim, os 2 tipos de escalas medem diferentes aspectos da depressão, o que pode modificar a associação entre depressão e consumo de álcool.

Desse modo, os autores buscaram avaliar a associação entre depressão e uso de álcool em uma amostra de 14.063 canadenses de 18 a 76 anos utilizando os 2 tipos de escala citados anteriormente (CIDI e CES-D).

O consumo de álcool da amostra foi categorizado da seguinte maneira: abstêmios, ex-bebedores (consumo de álcool na vida, porém abstinência nos últimos 12 meses) e bebedores habituais.

A freqüência de uso de álcool foi dividida da seguinte maneira: uso diário, 5-6 dias/semana, 3-4 dias/semana, 1-2 dias/semana, 1-3 dias/mês e menos de 1 vez por mês. Ademais, avaliou-se o uso de 5 ou mais doses de álcool em um dia no último ano (heavy episodic drinking).

Os resultados desse estudo mostram claramente que a forma de se medir depressão e uso de álcool afeta a magnitude da relação de ambas variáveis.

Os autores assinalam que o principal fator que vincula depressão com o uso de álcool é a ingestão de grandes quantidades dessa substância por ocasião, sendo sua relação maior em mulheres do que em homens. Entretanto, esta diferença de gênero foi observada somente quando a depressão foi identificada clinicamente como sendo do tipo “depressão maior”.

Ademais, a quantidade consumida se deu como “quantidade por ocasião” e “heavy episodic drinking”.

Os resultados desse estudo mostram claramente que a forma de se medir depressão e uso de álcool afeta a magnitude da relação de ambas variáveis. Os autores assinalam que o principal fator que vincula depressão com o uso de álcool é a ingestão de grandes quantidades dessa substância por ocasião, sendo sua relação maior em mulheres do que em homens.

Entretanto, esta diferença de gênero foi observada somente quando a depressão foi identificada clinicamente como sendo do tipo “depressão maior”. Ademais, a quantidade consumida se deu como “quantidade por ocasião” e “heavy episodic drinking”.

Apesar de a quantidade de álcool consumido mostrar uma pequena relação positiva com a depressão, a freqüência de uso dessa substância tendia a não estar relacionada ou a estar relacionada de maneira negativa.

Os autores assinalam que este resultado é consistente com pesquisas prévias, corroborando com conclusões anteriores de que o padrão de consumo é uma consideração importante na medição do dano, acima de qualquer efeito de base do volume total consumido.

Finalmente, observou-se alguma evidência de que os ex-bebedores teriam taxas ligeiramente mais altas de sintomas depressivos do que os bebedores moderados. Vale salientar, entretanto, que não se pode estabelecer uma relação de efeito protetor do consumo moderado contra a “depressão maior” em comparação aos abstêmios.

Fonte: Cisa

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