Bruna – Meu pai, meu herói

Essa é a história de um homem que venceu na vida! Meu pai veio de família humilde, trabalhou desde os 8 anos de idade como engraxate na praça da Sé para sustentar sua família de 4 irmãos, o pai e a mãe.

Sua infância foi simplória, nunca teve brinquedos, nem muitos amigos, sempre foi muito introspectivo. Os anos de escola se passaram e ele começou a trabalhar na polícia e estudar para passar no vestibular.

Trabalhava de noite para pagar os estudos, cursava de manhã e não tinha tempo para estudar. Um homem caridoso resolveu lhe ajudar, pois seu sonho era ter um filho que cursasse direito, este homem resolveu então bancar o cursinho para que meu pai tivesse tempo de estudar.

O problema é que a paixão do meu pai era a MEDICINA, neste ano em que ele estudou bem, entrou na faculdade de medicina de Catanduva, para sua infelicidade era uma faculdade particular, ele não tinha como pagar, e o homem caridoso estava desolado quando soube que seu sonho não seria projetado.

Seus irmãos então o ajudaram a fazer a matrícula, pois trabalhavam na polícia. Ao chegar na faculdade então ele financiou o curso e pagou posteriormente com infinitos plantões em natais, feriados, finais de semana.

Começou lá um estágio para custear sua vida em Catanduva num necrotério, ele disse que era assustador, alguns mortos se mexiam subitamente por ainda haver alguma circulação, aos poucos ele se acostumou.

Lá ele conheceu minha mãe, a primeira aluna da sala vinda do interior, mulher simples, que costurava suas próprias roupas, ajudava sua mãe em casa, e havia passado por um trauma, pois meu avó havia morrido de câncer.

Ambos se apoiaram um no outro, construíram uma vida juntos, vieram morar em São Paulo, trabalharam, juntaram um bom dinheiro para construir uma casa, casaram. Meu pai se meteu na política, pois queria ajudar aquelas pessoas que passaram um dia pelo mesmo sofrimento que ele, mas só conseguiu um cargo de diretor num bom hospital.

Às vezes somos fracos diante de tanta riqueza, desandou, conheceu outras mulheres, tinha o melhor carro do ano, o PODER corrompe as pessoas, meus pais se separam ainda quando eu tinha 4 anos, meu pai chegou a morar 3 meses na casa que ele construiu com tanto suor e amor!

Saiu com as mãos abanando de que adiantava ser o TODO PODEROSO e não ter o amor dos próprios filhos.

Ele começou a beber, meu irmão nunca ia passar os finais de semana com a gente porque ele era um pouco mais maduro e soube da traição, eu desconhecia tudo! E ia morrendo de saudade ver meu paizinho, ele bebia, xingava minha mãe, me ofendia e depois fingia que nada acontecia no dia seguinte me comprava bonecas caríssimas e eu me contentava, mas ficava confusa!

Ele casou-se novamente com uma das mulheres que ele havia traído minha mãe por que ela estava grávida! Foi morar num gueto perdeu o cargo, o carro já não tinha mais.

Os anos se passavam e ele esquecia de pagar a escola nunca esteve presente na minha vida sempre sofri com isso pelo desinteresse dele e eu não compreendia o que estava acontecendo apenas sentia raiva, achava que ele era o pior pai do mundo!

Nasceu meu meio-irmão, minha luz, meu amorzinho, lindo, carinhoso que sofreu muito mais porque pelo menos eu podia voltar pra casa da minha mãe ele não!

Meu pai bebia 1 garrafa de 51 por dia, até o chefe do posto em que ele trabalhava começou a notar e os pacientes então sua carreira foi prejudicada!

A mãe de meu pai sempre o alertou por causa do alcoolismo, mas ele num dava muita atenção até que um dia, minha avó morreu, vi meu pai então, de frente a maior tristeza de sua vida a mãezinha dele única pessoa no mundo que fosse o que fosse seus defeitos lhe daria um colo!

Ele piorou ainda mais teve várias tentativas para conseguir parar mas não porque ele queria, porque a família EXIGIA!

Até que ele foi surpreendido com um exame de câncer de próstata em cito positivo! Hepatite alcoólica.

Meu deus ali ele achou que a vida dele se acabaria. Por um milagre, o câncer estava em cito, foi retirado e não se espalhou à hepatite foi tratada e ele resolveu se internar.

Eu ia visitá-lo sempre, a família toda apoiou, os irmãos conseguiam conversar com ele normalmente depois de anos de embriaguez e ficavam surpreendidos com aquele homem.

Meu irmãozinho tinha lágrimas nos olhos ao ir embora e deixá-lo sozinho na clinica, FOI TRISTE escutar ele gritando: não pai pai.

Triste ele o ama de um jeito inexplicável, pois aos seus 10 anos de idade, cuidava de meu pai como se fosse seu filho, chegou a carregá-lo pra cama depois das bebedeiras, dava comida na boca dele, escutava os insultos mudo, guardava dentro dele todo aquele mar de lágrimas que eu despejava quando chegava em casa.

Os meses se passaram e ele saiu da clinica, começou a enxergar o mundo de outra forma.

Batalhou um novo lugar para o seu consultório, conseguiu imensa clientela, se estabeleceu com sua mulher que tanto cuidou dele a vida toda, demonstrando-lhe um enorme carinho, fez um sítio longe da cidade para poder descansar, ele acorda mais cedo nos fins de semana pra fazer café da manhã, começou a fazer aulas de inglês porque quer viajar para o exterior, aulas de informática, passou a me ligar todos os dias e se interessar pelos meus problemas pessoais e emocionais.

Me senti acolhida, pelo consolo, pela paz, aprendeu a jogar vídeo game com meu irmãozinho, trocou de carro, estamos com uma viajem marcada pra Cancun.

Eu o admiro, o perdoou por tudo, porque ele soube corrigir seus erros e mostrar que aquele menino que engraxava sapatos hoje é um médico brilhante, um pai maravilhoso, um marido exemplar e MEU MELHOR AMIGO.

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