Festas e o consumo excessivo de álcool

Jovens universitários reunidos em uma grande festa. Entre as atrações, um concurso para descobrir quem aguenta beber mais. O que mais parece o roteiro de um besteirol americano, é real: o estudante Humberto Moura Fonseca, 23 anos, morreu e outros três foram internados em estado grave por ingestão excessiva de álcool. Inclusive, o ganhador do tal concurso está internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

O ocorrido em Bauru (SP) expõe um grande problema da sociedade: festas onde o consumo excessivo de álcool é estimulado e glorificado.  Estamos falando de pessoas, geralmente jovens, que têm a crença de que quanto mais conseguir beber será melhor e que quem não bebe ou bebe pouco é um fraco. Além da frase clássica “Só quem bebe tem história para contar”.

O hábito de beber álcool está tão presente na sociedade que muitos experimentam o álcool ainda na infância ou adolescência sob a supervisão de um adulto e, estes, não enxergam como isso sendo algo ruim, pelo contrário. É visto com um sinal de inocência ou rito de passagem. Há até quem molha a chupeta em uma bebida alcoólica para a criança ‘não ficar com vontade’.

Na verdade, quando aceitamos que uma criança ou adolescente beba, estamos apenas estimulando a continuação dos problemas relacionados ao consumo de álcool na sociedade. E o festejar torna-se sinônimo de consumo excessivo de álcool.

Consequências

Enquanto muitos batem palmas para os que bebem em excesso, há mais de 50 mil mortes por ano relacionadas a acidentes de carro com álcool. Isso sem falar dos casos de violência.

Mas não para por aí: o consumo excessivo de álcool pode provocar problemas de saúde e até a morte, como foi o caso do estudante. O médico Paulo Olzon, clínico da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), explicou em uma matéria do Bem Estar que quando a pessoa bebe rapidamente – caso do universitário da Unesp – a bebida é absorvida rapidamente pela parte digestiva, o que aumenta a concentração etílica no sangue. “Não há tempo do organismo metabolizar aquele álcool e transformá-lo em gás carbônico [que sai do corpo pela respiração] e água [que sai pela urina]”, esclarece.

Com isso, uma área do cérebro afetada pelo efeito tóxico do álcool pode desligar funções vitais, como a que controla a respiração e o coração. Como consequência, pulmão e os batimentos podem param de funcionar.

Outra possibilidade é a pessoa sofrer uma queda de pressão ou tontura, o que pode provocar vômito. “Se ela aspirar esse vômito, ele entra nos pulmões, que ficam encharcados de álcool, e causa uma parada respiratória – que afeta diretamente os batimentos cardíacos”.

Como mudar esta realidade?

Esta realidade só irá melhorar quando mudarmos nossa relação com o álcool. Isso se faz em atitudes: não estimular que o outro beba, não ter medo de parar ou beber pouco e respeitar os limites (seus e dos outros) são apenas algumas formas de mudar a relação com as bebidas alcoólicas.

E o mais importante: ninguém precisa de álcool para ser feliz, muito menos para ser melhor do que alguém.

Bônus: O blogueiro Guilherme Valadares fala mais sobre bebidas alcoólicas e a necessidade masculina de beber cada vez mais – clique aqui.

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