Madrugada de sábado se torna horário mais perigoso no trânsito de SP

Madrugada de sábado se torna horário mais perigoso no trânsito de SP

Não há outro horário tão violento no trânsito paulistano como as madrugadas de sábado. O intervalo da meia-noite às 6h tornou-se, em 2011, o mais perigoso para se trafegar na capital. E o principal motivo, segundo especialistas e autoridades, é a mistura entre álcool e excesso de velocidade.

Ao todo, 91 acidentes provocaram a morte de motoristas, passageiros ou pedestres nas madrugadas dos 53 sábados do ano passado, 21 a mais em comparação ao ano anterior. Mais da metade deles foram choques entre veículos ou capotamentos e batidas.

O mesmo dia também tem o segundo período mais perigoso: das 18h à 0h, houve 81 ocorrências. Em terceiro e quarto lugares estão as noites de domingo e de sexta-feira, com 70 e 69 casos, respectivamente. Juntos, esses quatro intervalos respondem por um quarto dos 1.247 acidentes fatais registrados de janeiro a dezembro de 2011.

Os dados são do relatório anual da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), divulgado em maio. Segundo o órgão, ainda não foi possível analisar de forma consistente a causa do aumento nas madrugadas de sábado. Porém, “há clara evidência de influência de álcool na maioria dos acidentes, além do excesso de velocidade”, diz a companhia, por meio de sua assessoria de imprensa.

A mistura de bebida e velocidade é potencializada pela redução do número de veículos à noite. Com as ruas livres, os motoristas aceleram e, em caso de choque, os efeitos são piores.

“Reclamamos dos congestionamentos, mas, em certo ponto, [sua falta] favorece os acidentes mais graves”, afirma o capitão Paulo Oliveira, do Comando de Policiamento de Trânsito da Polícia Militar.

No ano passado, o Corpo de Bombeiros atendeu, em média, a 18 acidentes de trânsito com vítimas, fatais ou não, em cada madrugada de sábado, o equivalente a três por hora. O volume é o dobro em relação ao verificado em igual período de segunda a sexta-feira.

“Talvez o próprio movimento da cidade faça com que isso aconteça”, cogita o capitão Alexandre Reche, chefe da seção de Operações do Comando de Bombeiros Metropolitano de São Paulo, em referência à vida noturna da metrópole.

É notória, diz ele, a presença de pessoas na faixa dos 20 aos 30 anos entre as vítimas. E os cruzamentos se repetem como o ponto de acidentes graves durante a madrugada.
Com o aumento do número de chamadas nesse horário, o Corpo de Bombeiros teve de reforçar as equipes de alguns postos, conta Reche.

A corporação passou a deixar, neste ano, dois carros a mais nas unidades de São Miguel e do Parque do Carmo, na zona leste, nos horários críticos. Os veículos contam com equipamento para remover vítimas presas às ferragens. A ideia, agora, é estender a medida para a zona sul.

ÁLCOOL

Além de exagerar na velocidade, motoristas bebem mais no fim de semana. “Infelizmente, é recorrente ver bebida alcoólica dentro do carro”, conta o tenente Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros. “E a bebida traz para o motorista a perda da sensação de velocidade e distância. Ele acha que está dirigindo certo, mas não está”, afirma ele.

Para o professor Jaime Waisman, do Departamento de Engenharia de Transportes da USP, a saída para tentar pacificar o trânsito é conscientizar o motorista. “Precisa insistir que a pessoa tem todo o direito de encher a cara, mas, se fizer isso, não poderá dirigir. É uma questão de educação.”

“Numa metrópole como São Paulo, há condições de fiscalizar a cidade toda? Não. Se não partir da educação, não tem jeito”, concorda o engenheiro de tráfego Humberto Pullin.

O capitão Paulo Oliveira defende a mudança da lei seca a fim de torná-la mais rigorosa. “Todo dia fazemos blitz e todo dia encontramos pessoas sob influência de álcool. Temos de mudar a legislação, porque há falhas.” Apesar do aumento do número de mortes, 221 mil motoristas foram submetidos ao teste do bafômetro em 2011, 64 mil a mais do que em 2010.

Fonte: Folha de São Paulo.

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