Adolescência: consumo de álcool e maconha é alto nesta faixa etária Drogas / Feature / O álcool

João tem 17 anos e todo fim de semana adora sair com os amigos. Esse comportamento seria saudável se não fosse o fato de que essas saídas sempre têm bebidas alcoólicas ou maconha. O João aqui é um personagem fictício, mas na vida real há muitos adolescentes se envolvendo com as drogas.

Segundo uma pesquisa feita com 6 mil alunos entre 12 e 17 anos de escolas particulares em todo o país, o consumo de álcool e maconha é grande nesta faixa etária. O projeto “Este Jovem Brasileiro” ouviu estudantes de 64 escolas através de um questionário on-line sobre hábitos ligados a drogas, sexualidade, violência, sentimentos e redes sociais.

Embora os dados mostrem uma queda no uso de cigarros, há um número elevado de adolescentes que já experimentaram álcool ou maconha. Quando o assunto é álcool, 62% dos jovens afirmaram ter bebido pelo menos uma vez. Entre os maiores de 17 anos, o índice chega a 84%. A maioria começou entre 12 e 15 anos.

Apesar de mais adolescentes terem experimentado cigarro (16%) do que maconha (10%), o consumo mais frequente é o da droga ilícita. Entre os que já fumaram, 18% afirmam fazer uso da substância diariamente ou quase todos os dias.

Para a psicóloga especialista em dependência química Sonia Regina Solano Paes Breda, da Clínica Viva, existem muitas razões para que um adolescente fume maconha. “Alguns jovens fumam por influência da família ou dos parceiros. Para outros há crença de que maconha é apenas uma erva e que não faz mal. Alguns pensam que são superiores por usar a substância ou mesmo porque assistem em filmes. Além da curiosidade, consumir este tipo de substância como manifestação de independência, ansiedade e depressão são alguns possíveis fatores para iniciar o consumo”.

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Sonia também destaca a influência dos amigos. “Há uma pressão social no grupo de amigos muito frequente. Um adolescente cujos melhores amigos consomem álcool, cigarros ou drogas ilícitas será mais facilmente incentivado a experimentar comparado aos que possuem amigos que evitam as drogas ou não estão de acordo com o uso”, explica.

Consequências

O uso de drogas, lícitas ou não, pode trazer grandes danos para a saúde física e mental. De acordo com a psicóloga, o álcool pode trazer vários prejuízos, como gastrite, úlcera, hepatite alcoólica, cirrose, câncer no fígado, anemia, alterações de coagulação sanguínea, aumento da pressão arterial, problemas cardiovasculares, alterações na menstruação e outras complicações.

Já a maconha, muitas vezes vista como algo inofensiva, pode provocar vários efeitos no organismo como, por exemplo, aumento nos batimentos cardíacos, hipertensão, prejuízo à coordenação motora, comprometimento da memória e da concentração, provocando confusão mental, além de problemas respiratórios.

Prevenção

Vale ressaltar que, embora nem todos que experimentam tornem-se dependentes químicos, o uso de qualquer droga pode ser a porta de entrada para a dependência. E a melhor forma para prevenir que os filhos usem drogas é, sem dúvida, o diálogo. Para isso, é importante que os pais estejam informados e saibam abordar os temas com os filhos.

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Comecei a ingerir bebidas alcoólicas aos 14 anos de idade, me tornei alcoólatra e hoje estou em recuperação.